Instante: lapso de tempo muito curto; incalculável momento entre o antes e o depois.

Estamos em suspensão; será só um momento? 

O tempo vivido é ínfimo, um instante em meio a diversas lutas. Cabeças sempre ocupadas, relógios sempre girando nos tiram do instante. E assim, vivemos e ocupamos um não lugar, um local de passagens constantes, só estamos de passagem. O instante é o espaço onde se cria, onde se pensa o agora, e que nos permite pensar o agora de amanhã. O instante é o espaço infinito de tempo onde nossos devaneios acontecem e aterrissam na realidade. Nosso instante parece estar, então, composto de diferentes dimensões, é ambíguo, controverso. Ora conseguimos estar nele, imersos; ora ele escapa, atropelado, misturado com os dias que escorrem.

Vivemos um momento particularmente frágil. Imóvel. Vulnerável. Se não é tempestade, é o completo vazio. Estávamos tão acelerados, que essa brusca parada nos fez desabar, não se sabe o que fazer, como se portar ou o que pensar. Ao mesmo tempo, nessa suspensão forçada, não é possível parar, e não paramos. A pressão por produção é constante, afinal de contas, “tempo não falta”. Mas estamos sempre em divida, tentando economizar tempo. Ainda estamos acelerados. Vivemos um momento breve, volátil, que se sente interminável. Estamos pendulando no momento, nos rastejamos em mínimos movimentos, enfrentamos instantes. 

Insistentes, percorremos este momento sem saber onde está a saída. Existe saída no instante infinito? Existe saída no instante que foge? Este instante castiga, mas possibilita o contato profundo. O tempo do ócio nos faz pensar, traz à intimidade, e reflexão, sobre tudo de fora, e de dentro, o individual e o coletivo. As camadas desse instante contêm medo da vida, da morte, de pensar demais ou cessar pensamento, por choque, o que é tudo isso que está acontecendo, que tempo é esse, é inacreditável. Essa exposição recorta a intimidade de cada artista, o instante de cada um, o desdobramento dos olhares em meio à suspensão temporal – buscando captar o ser que contorna, aprofunda ou abranda a fugacidade dentro do turbilhão do instante. 


Galeria virtual desenvolvida por Taro 

www.tarostyle.art

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